Elisa Elsie

Pegue uma cartolina preta, recorte um retângulo no centro e passe a observar a sua volta através dessa abertura. Brevemente você irá perceber que o mundo encontra-se enquadrado... Se pensamos em fotografia vemos algo não muito diferente. Passamos a limitar o mundo percebido pelos nossos olhos e corpo, a partir da imagem (normalmente) retangular fornecida no visor de uma câmera.

As cenas constantemente nos rodeiam. São pessoas, eventos, paisagens ou acontecimentos que merecem ser perpetuados pelas lentes de uma câmera. É inevitável não fazer escolhas no momento do registro. São justamente essas decisões tomadas nesse breve (ou longo) espaço de tempo, necessário para determinar o que permanece ou o que é deixado fora da fotografia, que apontam para as características do portador de um equipamento fotográfico.

Aquilo que cada pessoa valoriza fará parte de sua fotografia, muitas vezes de forma inconsciente. O momento exato de acionar o disparador, a luz ambiente a ser explorada ou mesmo quais elementos serão parte integrante da fotografia, são apenas alguns aspectos lembrados no momento de se fazer uma. É bem verdade que tais aspectos nem sempre estão presentes no ato fotográfico, ou eles já estão aderidos ao ato ou ainda permanecem adormecidos.

Fazer fotografia é um verdadeiro desafio a criatividade. A técnica pode até ser plenamente conhecida e dominada, porém o resultado fotográfico representará uma junção da técnica adquirida e do processo criativo continuamente em mutação. Fragmentos são retirados do mundo a todo o momento. As imagens captadas são simplesmente traços do real, que se tornam inseparáveis ao ato que lhe dá origem. A forma como esses pedacinhos de mundo serão perpetuados é determinado pela mente pensante por trás de uma câmera fotográfica.Fica para cada um a tarefa de emoldurar o mundo a sua maneira.